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Eduardo Baldacci: aquecimento solar e sustentabilidade nas moradias da CDHU

A instalação de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) em moradias populares faz parte do conceito de sustentabilidade adotado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo. Na entrevista a seguir, o arquiteto e urbanista Eduardo Baldacci, gestor do Programa de Eficiência Energética da CDHU, fala sobre os benefícios desta tecnologia para o mutuário, o meio ambiente e o sistema elétrico brasileiro. 

SOL BRASIL – Quais são os destaques do novo modelo de moradias populares adotado pela CDHU?
  
Eduardo Baldacci - O novo padrão paulista para a construção de moradias populares visa melhorar a qualidade das habitações para oferecer mais conforto, funcionalidade, segurança e espaço adequado às famílias. O principal item desse novo modelo é a inclusão do terceiro dormitório.
Mas existem outras benfeitorias nunca antes aplicadas a moradias de interesse social. Entre elas estão o aquecimento solar; medição individualizada de água em apartamentos; revestimento de pisos em todas as dependências; azulejos na cozinha e no banheiro; pé-direito ampliado de 2,40 m para 2,60 m; muro divisório entre casas; e acessibilidade para idosos e cadeirantes.
  
SOL BRASIL: Há quanto tempo a CDHU adota o Sistema de Aquecimento Solar (SAS)?
  
Baldacci - Desde 2007 a CDHU adotou o conceito de sustentabilidade para suas novas unidades habitacionais. O SAS foi umas das medidas adotadas e culminou com a ata de registro de preços para compra de 15.000 equipamentos. Logo após, assinamos protocolos com as concessionárias de energia elétrica.
Iniciamos com a EDP Bandeirantes, que nos doou 4.800 SAS, depois com a CPFL com mais 6.500, e agora com a Eletropaulo com mais 5.000, dentro de um programa de eficiência energética com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Todos estes equipamentos são instalados em nossas unidades habitacionais sem nenhum custo para nós.
 
SOL BRASIL: Como os fabricantes do setor de aquecimento solar podem participar de licitações da CDHU?
  
Baldacci - É muito simples. O edital é publicado no Diário Oficial; basta prestar atenção no termo de referência e comparecer no dia do pregão.
 
SOL BRASIL:  Quais os cuidados que os fabricantes de sistemas de aquecimento solar devem tomar ao participar de uma licitação da CDHU?
  
Baldacci - O principal cuidado é a prática de bons preços, sem esquecer que temos técnicos para análise dos projetos e fiscais para acompanhamento dos serviços, pois não abrimos mão de nosso termo de referência, tanto para as instalações como para os produtos.
Após vencerem a licitação, os fabricantes devem ter a consciência de que não basta colocar os SAS no telhado: devem saber que estão participando de um programa de eficiência energética que trará grandes benefícios ao mutuário, ao meio ambiente e ao sistema elétrico brasileiro.
  
SOL BRASIL: Como as equipes de construção se organizam para as etapas de instalação de paredes, telhado, canos, coletores solares e reservatório de água quente?
Baldacci - Estamos bem avançados. Para cada caso de situação possuímos um termo de referência: basta segui-lo que não terão surpresas.
  
SOL BRASIL: Quais os benefícios do SAS para o morador, para a CDHU e para o Governo?
Baldacci - Para o mutuário da CDHU é a diminuição na conta de energia elétrica. Quanto ao Governo, deixa de investir em infraestrutura GTD (geração, transmissão e distribuição de energia).
  
SOL BRASIL: Do ponto de vista de economia de energia, quais são os benefícios oferecidos pelo Sistema Solar Híbrido?
 
Baldacci - O Sistema Solar Híbrido é um grande complemento para os SAS. Equaliza a potência dos chuveiros, garante a redução de demanda no horário de pico e, para quem quiser mais economia, existe a função de temporizar o banho.

SOL BRASIL:  Existe alguma pesquisa da CDHU sobre a satisfação dos moradores com o chuveiro solar híbrido ou SAS?

Baldacci - Estamos somente há um ano instalando os SAS. Por onde passamos, a satisfação é plena. Firmamos um contrato com o IPT, que nos trará medições técnicas, então saberemos na realidade o tamanho da satisfação.
Temos muito trabalho pela frente, tanto a CDHU em seus projetos, como a indústria, ao investir em novas tecnologias e baixar o custo dos equipamentos, sem prejudicar a sua eficiência.

SOL BRASIL:  Quantas moradias serão construídas em 2010 e nos próximos anos pela CDHU?

Baldacci - Nossos canteiros de obras estão produzindo mais 58 mil atendimentos habitacionais, que englobam novas moradias e famílias atendidas com obras de urbanização. Nossa meta estabelecida no Plano Plurianual (PPA) 2008-2011 é promover mais de 170 mil atendimentos entre novas moradias, urbanização de favelas, requalificação de moradias existentes e regularização fundiária.

SOL BRASIL: Qual o critério utilizado para construir unidades unifamiliares ou multifamiliares?
 

Baldacci - Via de regra, a disponibilidade de terrenos. Isso envolve tanto a escassez quanto o custo da terra. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, incluindo a Capital, o preço é muito elevado e a demanda é muito grande. Por isso, a verticalização é a melhor solução.

SOL BRASIL:  Além dos conjuntos habitacionais tradicionais, existem outras iniciativas diferenciadas na CDHU?

Baldacci - Sim. Um bom exemplo é o Programa Vila Dignidade, para a construção rápida de pequenos conjuntos residenciais, com até 24 casas, especialmente projetados para pessoas idosas de baixa renda, sem vínculos familiares e aptas para tarefas diárias.
Outro exemplo é o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, em Cubatão. Mais de 5 mil famílias serão transferidas de áreas de risco ou de preservação ambiental na serra para novas moradias sustentáveis em municípios da Baixada Santista.
Poderíamos citar ainda o Programa de Regularização Fundiária Cidade Legal, que contribui para que o cidadão tenha a escritura definitiva do seu imóvel, e programas de atuação em favelas, cortiços e áreas de risco.


SOL BRASIL:  A CDHU é modelo para outras companhias habitacionais. Quais Estados já estão estudando as técnicas da CDHU para implantação em suas regiões?
 
 
Baldacci - Diversos Estados. Podemos citar, entre eles, Paraná e o Distrito Federal, com os quais firmamos termo de cooperação técnica para intercâmbio de tecnologia e expertise.
Revista Sol Brasil – 1° edição.

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Revista Sol Brasil – Abril 2012

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