O CB-SOL envolveu toda a cadeia produtiva do aquecimento solar em torno das questões mais importantes do setor, tendo como objetivo ampliar o mercado de forma responsável e sustentável. A avaliação é do presidente do DASOL, José Ronaldo Kulb, que na entrevista a seguir faz um balanço do congresso e fala sobre os próximos passos do DASOL.
SOL BRASIL – Qual é o balanço do CB-SOL?
José Ronaldo Kulb: O congresso, a feira e a demonstração ao público na praça José Bonifácio, centro de Campinas, tiveram um papel fundamental no envolvimento dos atores de toda essa cadeia produtiva do aquecimento solar. Conseguimos reunir concessionárias de energia elétrica, que são grandes consumidoras de aquecimento solar nos programas de eficiência energética; universidades como a UNICAMP, UNA, Federal de Santa Catarina, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo; e todos os envolvidos na cadeia da indústria, dos fabricantes aos fornecedores de matéria-prima e revendas. Em um único evento conseguimos reunir mais de 250 pessoas, que são responsáveis por toda essa cadeia de desenvolvimento.
SOL BRASIL – Quais os objetivos do DASOL e do congresso?
José Ronaldo Kulb: Queremos disseminar a tecnologia do aquecimento solar no Brasil. A meta estipulada é muito ambiciosa: em quatro anos, é mais do que dobrar o parque instalado. Hoje estamos com 6,2 milhões m² de aquecimento solar instalados e pretendemos chegar a 15 milhões m² em 2015. Parte desse crescimento será consequência do programa Minha Casa Minha Vida.
Por outro lado, há um grupo de trabalho interministerial, capitaneado pelo Ministério do Meio Ambiente e do qual participam os ministérios de Minas e Energia, das Cidades e da Ciência e Tecnologia, EPE, entre outros colaboradores. O grupo criou um Plano Estratégico para disseminação da tecnologia solar térmica no Brasil com diversas ações que garantam seu crescimento sustentável pelos próximos anos.
O congresso foi importante para que todos esses “stakeholders” tomassem conhecimento desse desafio e começassem a trabalhar juntos para conseguir ampliar o mercado de forma responsável e sustentável.
SOL BRASIL – Quais são os desafios para alcançar a meta de crescimento?
José Ronaldo Kulb: Alguns dos desafios estão voltados para o desenvolvimento de materiais mais resistentes e de menor custo. Quando a economia começa a se recuperar, os preços das commodities, como o cobre e o alumínio, disparam porque esses recursos naturais vão se tornando cada vez mais escassos. A busca de materiais alternativos, baratos, mais resistentes e de maior vida útil é um desafio natural para o setor.
SOL BRASIL – Como fica a questão da qualificação de profissionais?
José Ronaldo Kulb: Provavelmente este é um dos nossos maiores desafios: formar e qualificar mão de obra especializada para conseguir instalar esses quase 8 milhões m² em quatro anos. Com esse crescimento de mercado, é preciso ter centros de treinamento para projetistas e instaladores para garantir à obra, de uma forma integrada, não só o bom produto, mas a boa qualidade da instalação. Vimos em algumas palestras essa preocupação, tanto da Caixa Econômica Federal como da CDHU. Para ajudar nesta questão foi criada a Rede Procel Solar (Rede Nacional de Cooperação em Energia Solar Térmica), projeto da Eletrobras/Procel, para a criação de sete centros de capacitação no Brasil.
SOL BRASIL – E como fica o fomento?
José Ronaldo Kulb: A partir do momento em que se tem um crescimento tão acentuado desse mercado, algo acima de 20%, precisamos de linhas de crédito mais eficientes, mais competitivas, com taxas de juros mais atraentes como nos mercados internacionais. Estamos buscando bancos como a Caixa Econômica Federal, que já se colocou à disposição para estudar linhas específicas, tanto para a indústria quanto para o consumidor, a exemplo do que já fez para outros setores da economia.
SOL BRASIL – Como será o processo de etiquetagem compulsória pelo INMETRO?
José Ronaldo Kulb: Serão nomeados OCPs (Organismos de Certificação de Produtos), que são empresas certificadoras como a da ISO 9001, para acompanhar, monitorar, prestar consultoria e certificar os produtos do mercado em conformidade com as normas vigentes, com acompanhamento dos processos produtivos e do sistema da qualidade. Essas empresas serão os olhos do INMETRO no mercado. Teremos também, no mínimo, dois laboratórios, o que é uma premissa para que haja compulsoriedade.
SOL BRASIL – O que mais é preciso fazer?
José Ronaldo Kulb: É fundamental o estabelecimento de políticas governamentais de incentivo ao uso de aquecimento solar. Já temos algumas leis, por exemplo, de obrigatoriedade na cidade de São Paulo e de incentivos em alguns municípios, como os que dão desconto no IPTU para o consumidor que adotar o SAS. Mas, apesar das leis, não temos visto um crescimento significativo do mercado. A lei é feita, aprovada e regulamentada, mas é preciso monitorar para que seja efetivamente aplicada. Realizamos no DASOL uma pesquisa com resultados bastante frustrantes, mostrando que muitas das leis municipais de incentivo não estão surtindo os efeitos esperados.
SOL BRASIL – Qual a importância da universidade?
José Ronaldo Kulb: O papel da universidade como parceira da indústria é determinante na pesquisa e desenvolvimento, ou seja, se o Brasil quiser ser um país desenvolvido, tem que investir em pesquisa, inovação e tecnologia. Por isso, é muito importante que a universidade atue junto à indústria, usando linhas como FINEP e FAPESP, entre outras.
SOL BRASIL – O setor está organizado para esse novo cenário?
José Ronaldo Kulb: O setor nunca esteve tão organizado e o CB-SOL é uma clara demonstração dessa organização setorial. Conseguimos trazer praticamente todos os atores do setor, além de palestrantes estrangeiros que mostraram para o Brasil uma visão de mercados mais maduros.
Revista Sol Brasil – 9° edição.